7, Maio, 2008...1:08

Operação “Santa Tereza”, da Polícia Federal, flagra envolvimento do Dep. Paulo Pereira da Silva - Presidente da Força Sindical

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Na manhã do dia 24/04/2008, a Policial Federal deflagrou a chamada “Operação Santa Tereza”, que investiga esquema de desvio de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Inicialmente, o alvo da PF era tráfico de mulheres e prostituição, mas no decorrer das investigações ou indícios de envolvimentos bem maiores e que se relacionavam com pessoas que montaram quadrilha que desviavam dinheiro do BNDES, resultado de financiamentos e empréstimos a diversas prefeituras e empresas privadas.

O inquérito corre na 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Foram presas 9 pessoas e entre elas estava um dos advogados mais famosos de São Paulo, Ricardo Tosto. A PF fez buscas e apreensões em 18 locais suspeitos, procurando provas que incriminem os acusados.

Segundo a PF, os desvios chegavam a 5% dos valores que eram emprestados a prefeituras. Um dos empréstimos no qual teria sido flagrado, o desvio era de R$ 130 milhões, para uma prefeitura de Praia Grande/SP, cidade da baixada santista. Outros 2 empréstimos investigados, de R$ 220 milhões, foi concedido para reformas das Lojas Mariza, famoso comércio varejista.

Tosto, que tem entre seus clientes o deputado federal Paulo Maluf, é conselheiro do BNDES. Ele representa a Força Sindical no conselho do banco.

Prostituição

As investigações que resultaram na operação “Operação Santa Tereza” começaram em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre tráfico de mulheres e exploração de prostituição. Em nota, a PF afirma que desde o início da apuração, os policiais constataram que alguns dos investigados mantêm uma casa de prostituição em São Paulo, com faturamento elevado, constatado por cadernos e anotações de caixa, chegado a valores superiores a R$ 760 mil reais. A casa de prostituição era a forma de fazer a “lavagem” do dinheiro desviado.

Segundo a PF, “O prostíbulo somente se mantém em funcionamento porque seus proprietários oferecem, de forma contínua, vantagens ilícitas a autoridades e servidores públicos responsáveis pela fiscalização. Contra essa prática criminosa as investigações serão aprofundadas”, diz um trecho da nota.

Nas investigações, nas escutas telefônicas (autorizadas pela justiça federal) e nos relatórios da PF, várias vezes é citado o nome do Deputado Federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Ele é presidente da Força Sindical.

A assessoria de imprensa da Força Sindical emitiu nota dizendo que seu presidente é vítima de perseguição política, por causa de contrariar interesses das elites, como o reajuste do valor do salário mínimo, jornada de trabalho e outras ações “em prol dos trabalhadores brasileiros”. Ele ainda vem recebendo apoio das demais centrais sindicais.

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, decide nos próximos dias se vai abrir inquérito, ou não, para investigar o deputado.

Hoje (06/05/2008), a Executiva Nacional do PDT se reuniu em Brasília e ouviu as explicações do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), sobre o seu possível envolvimento com o desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) descoberto pela Polícia Federal durante a Operação Santa Tereza. Depois de ouvir o parlamentar, os membros da executiva disseram que o partido está solidário a Paulinho porque não vê indícios que possam incriminá-lo no relatório da Polícia Federal sobre o caso. Lembramos que a executiva nem leu o inquérito para saber se ele tem envolvimento ou não. Só confiou na palavra do Paulinho. Incrível.

A tentativa do deputado em desmerecer o trabalho da Policia Federal fica evidente quando diz que a “a PF serve a interesses da elite, que dele se vingam e para subverter os ganhos de qualidade na vida dos trabalhadores”. Apesar de simbolicamente ter tentado abrir o próprio sigilo telefônico e bancário, desdenha das ordens públicas quando diz que “não é investigado pela PF e sim apenas citado”.

A PF não o investiga diretamente, nem o acusa porque sabe que o parlamentar tem foro privilegiado (que é para esses casos de mau versacao do dinheiro publico) e que so pode ser investigado pela Supremo Tribunal Federal).

Pensamos que o fato poder atrapalhar o nobre deputado em sua tentativa de concorre a prefeitura de São Paulo, brincando ainda com o fato de “poder lhe render mais votos”. Porém pode ter razão, pois a cidade de São Paulo é conhecida por sempre colocar em cargo eletivo o ex-prefeito Paulo Maluf, hoje deputado federal, envolvido em inúmeros processos de corrupção e desvio de dinheiro público.

Fernand Koda

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