Soa como clara zombaria, a nova campanha publicitária da AMBEV, para a cerveja SKOL, em relação à legislação de brasileira, aparada pela nova lei número 11.705, que institui no Código Brasileiro de Transito severas punições a ingestão de bebidas alcoólicas e direção de veículos automotores.
Na propaganda da SKOL, o cidadão que não bebe é apresentado como um coitado, um desajustado social, que serve de chacota de amigos pelo fato de não beber e ser o “motorista oficial” de sua turma.
A forma pejorativa com que a propaganda trata a situação, deveria chamar a atenção do ilustríssimo deputado federal Hugo Leal (PSC/RJ), relator da Medida Provisória 415/2008 (Lei 11.705), para o fato da necessidade de proibir (ou controlar) propagandas de incentivo à ingestão (consumo) de bebidas alcoólicas.
Obvio que o forte lobby das Empresas do setor cervejeiro e bebidas destiladas vêm se mobilizando para que isso não aconteça.
A OMS – Organização Mundial de Saúde, orienta para o perigo que essas propagandas trazem, formando opiniões e promovendo a formação de novos grupos de consumidores, principalmente jovens. No Brasil, o Ministério da Saúde e ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária se omitem para o fato, preferindo fazer o jogo das cervejarias.
Pesquisas divulgadas essa semana (Revista Veja), revelam que a ingestão de bebidas alcoólicas por jovens traz conseqüências definitivas, afetando habilidades cognitivas do cérebro, como a memória e o aprendizado, e tornando-os mais propensos a se tornarem alcoólatras.
Diante dessas informações a ANVISA divulgou novas regras à veiculação de anúncios de cerveja ficando restritas ao período das 20h às 8h. Advertências de grande impacto serão incluídas na publicidade. Os alertas – que não serão mostrados apenas por escrito, mas falados pelo personagem do anúncio – mostrariam os riscos de acidentes, os males para a saúde, as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho enfrentadas por quem consome bebida em excesso e os recursos públicos gastos no atendimento a essas pessoas.
De forma engraçada, essas medidas receberam críticas severas do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que argumenta que a agência reguladora não tem poderes para instituir normas – já que estas só poderiam ser alteradas por lei federal – e promete ir à Justiça contra a resolução. De outro lado está o Movimento Propaganda Sem Bebida, que defende a proibição total da publicidade. O movimento – liderado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – considerou a proposta de resolução uma maquiagem.
E é.
Fernand Koda
3 Comentários
Sexta-Feira, 12, Setembro, 2008 às 19:44
“A forma pejorativa com que a propaganda trata a situação, deveria chamar a atenção do ilustríssimo deputado federal Hugo Leal (PSC/RJ), relator da Medida Provisória 415/2008 (Lei 11.705), para o fato da necessidade de proibir (ou controlar) propagandas de incentivo à ingestão (consumo) de bebidas alcoólicas.”
Se fosse assim deveriam proibir mts outras coisas q são exibidas na televisão e voltaremos a uma censura no país!!!
Sexta-Feira, 12, Setembro, 2008 às 19:47
É melhor uma empresa “zombando” de uma lei (neste país td é assim mesmo) do que um Daniel Dantas da vida zombando de todos os brasileiros!!
Terça-feira, 16, Setembro, 2008 às 17:43
Creio na necessidade de uma legislação mais efetiva no combate ao uso das drogas lícitas, com vistas a diminuir os gastos públicos.
Tail medida é de sesponsabilidade de todos as instâncias governamentais e deve ser tomada a despeito das empresas, pois provavelmente os gastos públicos são maiores que as receitas produzidas pelas empresas, além do que, se não houver propaganda, ainda haverá consumo, como ocorre com cigarro.